Comprar passagens agora ou esperar? Alta no querosene pode encarecer voos futuros

Quem está planejando viajar de avião nos próximos meses deve repensar a estratégia: esperar pode sair mais caro.

Alta no querosene
Alta no querosene de aviação deve encarecer passagens (Imagem: Agência Brasil)

Especialistas ouvidos após o reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras, avaliam que o impacto nas passagens aéreas deve chegar em breve, e de forma significativa.

Alta no combustível deve chegar ao consumidor

O aumento no preço do combustível já era esperado desde o início das tensões no Oriente Médio, especialmente após a ofensiva envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que pressionou o valor do petróleo no mercado internacional.

No caso do setor aéreo, esse impacto tende a ser inevitável. Isso porque o querosene de aviação representa uma parcela significativa dos custos das companhias.

Segundo a professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Viviane Falcão, o repasse pode acontecer mais rápido do que o habitual.

“Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”, disse a especialista em conversa com o Globo.

Ela explica que, embora as companhias aéreas costumem fechar contratos de combustível com antecedência, outros fatores devem acelerar o aumento.

“As aéreas fecham os contratos de combustível com seis meses de antecedência, mas, com a chegada das férias e segundo semestre – que sempre registra preços maiores –, o repasse do aumento deve chegar antes deste prazo”, detalha.

Passagens podem subir até 20%

A expectativa é de que o impacto no bolso do passageiro seja relevante.

Viviane Falcão projeta uma alta de 15% a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses, considerando apenas o efeito do aumento no preço do petróleo.

Atualmente, o combustível já representa cerca de um terço dos custos operacionais das companhias aéreas. Com os reajustes recentes, esse número pode chegar a aproximadamente 45%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Menos voos e aviões mais cheios

Além do aumento nos preços, o cenário pode trazer outra consequência direta para os viajantes: voos mais cheios e menor oferta.

O economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, afirma que o setor deve se adaptar ao cenário global.

“A gente vai ter que se adaptar a essa conjuntura negativa que o mundo está vivendo, a gente não pode isolar o Brasil do que está acontecendo no mundo, e as pessoas têm que entender que, infelizmente, tem uma conta pra pagar”, declara.

Segundo ele, a tendência é que companhias reduzam o número de voos para equilibrar custos, movimento já observado em outros países.

“Quando a companhia área compra o combustível, depois isso tem um preço de reposição. Ela vai ter que colocar isso na passagem aérea, mas claro que ela não vai colocar na integridade“, emenda.

Mesmo com parte dos custos sendo absorvida pelas empresas, o impacto deve chegar ao consumidor.

Hoje, as principais companhias aéreas no Brasil já operam com cerca de 90% de ocupação dos assentos, acima do nível considerado ideal para viabilidade financeira.

Guerra e petróleo pressionam preços globais

O aumento no QAV acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional, influenciada diretamente pelo cenário geopolítico.

Um dos principais fatores é o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, o que tem reduzido a oferta e pressionado os preços.

Adriano Pires destaca que o momento atual é diferente de outras crises: “Essa guerra tem uma particularidade, diferente de outros momentos quando se teve elevações substanciais no preço do barril do petróleo. É que essa guerra está proporcionando uma disrupção na oferta de gás e petróleo que a gente não teve em outros momentos”

Tentativa de segurar o aumento “aos poucos”

No mesmo dia do reajuste, a Petrobras anunciou condições especiais para distribuidoras, permitindo que parte do aumento seja parcelada.

Na prática, isso pode suavizar o impacto imediato nas passagens, diluindo os reajustes ao longo dos próximos meses.

Ainda assim, especialistas veem incertezas nesse modelo.

“Fazendo esse processo de repassagem em gotas homeopáticas, certamente a Petrobras pode vir a sofrer, e não sabemos até quando ela consegue aguentar; ela pode segurar agora, mas mais adiante vai depender muito da conjuntura geopolítica internacional, ainda muito incerta”, esclarece.

Vale a pena esperar ou comprar agora?

Diante desse cenário, a recomendação dos especialistas é clara: antecipar a compra pode ser a melhor estratégia para economizar.

Isso porque o setor aéreo deve enfrentar uma combinação de fatores nos próximos meses:

  • aumento do combustível
  • alta demanda por viagens
  • redução na oferta de voos

No Brasil, onde o transporte aéreo ainda não tem substitutos eficientes para longas distâncias, o impacto tende a ser ainda mais sentido.

 

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